34_pira_parque do mirante de piracicaba_piracicaba_sp_2014

 1º lugar_concurso nacional para requalificação do parque do mirante_prefeitura de piracicaba

autores
alexandre gervásio  +  camila leibholz   +  erico botteselli  +  lucas thomé  +  pedro de bona

colaboradora
beatriz vicino

colaboradores
rafael goffinet  +  matheus molinari

consultor
silvio oksman

A cidade de Piracicaba historicamente apropria-se do percurso natural do Rio e o encarrega de ser o principal vetor de 
formação de sua malha urbana. A cidade, que cresceu voltada para o Rio, o assume como protagonista e atribui 
a ele o valor democrático de um espaço público. Ocupa suas margens para realizar encontros, 
celebrações, eventos artísticos, folclóricos, gastronômicos e de lazer, 
construindo uma identidade fortíssima relacionada ao rio. 

O Parque do Mirante foi concebido na década de 1880 destinando-o a observação do rio, e ganhou força com a 
reforma realizada em 1950 que permitiu o encontro através de percursos e mirantes. Diante disso, a 
presente proposta visa respeitar e requalificar os mesmos critérios. Este projeto legitima o rio 
como protagonista do espaço público, bem como os percursos relacionados a ele, revertendo 
sua atual condição de abandono e depreciação, com o cuidado em articular o Parque com a 
composição das outras áreas multifuncionais destinadas ao uso coletivo e previstas no 
Plano Diretor local, formando o circuito integrado Beira Rio Central.


diagrama de conexão do parque do mirante e a sua conexão com os elementos que o rodeiam




O projeto toma como premissa o próprio percurso como objeto a ser preservado e prevê a requalificação destes caminhos, 
afim de melhor conecta-los e torna-los mais atrativos. Os principais elementos que compõe a intervenção são: a implantação de 
eixos no sentido transversal aos percursos existentes, tornando-os mais acessíveis e estabelecendo uma relação visual e 
física com o rio, com o entorno e com o próprio Parque; a reestruturação de alguns dos espaços existentes, 
propondo novos programas que desempenham o papel de incentivar o uso mais frequente do 
Parque; e a inserção de módulos que se distribuem nos caminhos do Parque abrigando
 pequenos programas de apoio por toda a sua extensão.




diagrama conexões existentes / conexões propostas








As transposições são implantadas em três eixos do Parque, onde cada uma delas é capaz de organizar, articular 
e tornar acessível os diferentes níveis dos percursos existentes, através de uma plataforma anexada à um elevador, 
considerando o posicionamento das escadarias já existentes. Ao se apropriar de uma técnica construtiva contemporânea, 
é possível  estabelecer uma relação interessante entre as intervenções realizadas ao longo do tempo no 
Parque, permitindo a leitura do processo de transformação e consolidação do parque. 






ampliação elevador central e praça alagável





O principal deles está no eixo central que, ao abrigar o maior fluxo vindo da Avenida Maurice Allain, permite o 
acesso desde o nível da rua até a extremidade transversal do Parque caracterizando, assim uma nova entrada 
para o parque. Priorizando a contemplação ao rio, esse caminho chega até o Mirante 3 sendo este a primeira 
construção do Parque. A proposta afirma sua vocação de se aproximar do rio e propõe, na cota mais 
baixa, uma área alagável que transmuta sua configuração conforme a alteração do nível da água. Ela cria também 
uma relação direta com o mirante 04, que já possui caráter alagadiço. 





perspectiva elevador central




O outro elemento de transposição localiza-se na extremidade do Parque que está próximo à Ponte do Mirante. O eixo 
está posicionado ao lado da escadaria de pedras existente, reforçando o percurso entre a 
marquise e o espelho d’água, ambos elementos que revelam,  através da arquitetura, 
o movimento modernista da década de 50 inserido no contexto 
de desejo por mudança na cidade. 


Este eixo se direciona ao edifício onde hoje funciona o Núcleo de Educação Ambiental, onde é proposta a demolição do 
pavimento superior a fim de reverter a condição de barreira visual e de proximidade, que contradiz um dos principais 
motivos de existência do parque, a proximidade com o rio, e não apresenta grande interesse de preservação integral. 
Ao retirar esse pavimento que não, além da revelação do rio desde o nível da rua, instigando as pessoas 
a se aproximar dele, cria-se um espaço mais amplo e democrático para o uso coletivo da população.




ampliação restaurante e mirante 4



O projeto cria ainda uma relação entre o antigo edifício e o mirante 02, em ambos os pavimentos, 
buscando uma unidade de piso através de um novo elemento de conexão entre eles, 
a fim de possibilitar a compreensão da espacialidade original. No pavimento inferior, 
a reforma do atual aquário e do pavimento


 inferior ao NEA abriga um novo restaurante e um bar/café, com o intuito do melhor aproveitamento da vocação publica e de contemplação
 deste espaço, visto que se situa acima do salto. O tipo de programa proposto, o restaurante e bar, além de remeter à memória
 cultural do local, estimula a ocupação tanto diurna quanto noturna do Parque todo que, além de 
criar oportunidades de convivência, estimula atividades socioculturais e econômicas.




perspectiva restaurante e mirante 4






ampliação acesso engenho central e aquário



O terceiro eixo de transposição está implantado na outra extremidade do Parque funcionando como elemento 
articulador entre ele e o Engenho Central, amarrando e potencializando o circuito de 
equipamentos que compõe o Beira-Rio Central e estrutura um sistema vivo de intercâmbio social.


O eixo liga a cota intermediária do percurso do Parque, passa por cima do véu da noiva criando uma 
nova relação visual e sensorial, margeia as ruínas provenientes das antigas comportas de abastecimento de água, 
onde se propõe a relocação e adaptação do Aquário Municipal, e destina-se ao Engenho Central, em frente ao novo Museu do Açúcar.




perspectiva aquário





ampliação equipamento recreativo de transposição





E por fim, numa escala mais flexível, um equipamento recreativo, e um conjunto de módulos e mobiliários 
urbanos distribuídos ao longo dos percursos com o objetivo de abrigar quaisquer necessidades de 
apoio que o parque possa necessitar afim de gerar usos por toda a sua extensão. O elemento recreativo é destinado 
principalmente às crianças e vence o desnível entre um patamar e outro cumprindo coma função de transposição de forma interativa. 





ampliação módulo de comércio e módulo de sombra




O uso dos módulos para a finalidade gastronômica, retratam a forte tradição que se tem em frequentar a Rua do Porto 
principalmente pela gastronomia típica piracicabana. E o conjunto de mobiliário urbano, entre eles as coberturas, 
bancos e pontos de iluminação, dão unidade visual e prática para o melhor funcionamento do Parque.




perspectiva módulo de comércio e módulo de sombra










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